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Insegurança nas estradas e roubo de cargas aumentam custos do transporte no Brasil
A insegurança nas estradas e a falta de infraestrutura logística têm deixado de ser apenas problemas das transportadoras e passaram a impactar diretamente o preço final dos produtos. Pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostra que 62% das empresas industriais relatam aumento nos custos finais devido aos gastos com segurança no transporte. O levantamento também aponta que 45% das indústrias afirmam que investimentos gerais em segurança encarecem seus produtos e que, para 81% dos empresários do setor, a insegurança contribui para ampliar o Custo Brasil.
O impacto também aparece nos registros de ocorrências. Segundo a CNI, 20% das indústrias sofreram roubo ou furto de cargas rodoviárias nos últimos cinco anos, sendo que 68% desses casos ocorreram diretamente nas rodovias. Já o Mapa da Segurança Pública 2026, divulgado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, aponta que o Brasil registrou 8.570 ocorrências de roubo de carga em 2025, média de 23 casos por dia, mesmo após uma queda de 16,7% em relação ao ano anterior. A região Sudeste concentrou 86,18% das ocorrências, com 7.386 registros.
Além da segurança, a infraestrutura rodoviária também pressiona os custos. Levantamento da Confederação Nacional do Transporte (CNT) citado pela CNN Brasil aponta que estradas em más condições podem elevar o custo operacional do transporte em até 31%, principalmente pelo maior consumo de combustível, desgaste dos caminhões e aumento do tempo de viagem. O dado ganha peso porque cerca de 65% das cargas no Brasil são transportadas por rodovias.
Para empresas como a West Cargo, especializada em operações logísticas para o comércio exterior, esses fatores entram diretamente no gerenciamento de risco. A empresa avalia que segurança, infraestrutura, manutenção preventiva, planejamento de rotas, monitoramento e treinamento dos motoristas são componentes essenciais para reduzir a exposição das operações e evitar paradas não planejadas nas estradas.
Segundo Luigi Rosolen, diretor da West Cargo, os custos logísticos muitas vezes não são visíveis para o consumidor, mas fazem parte da composição de preços dos produtos transportados. “As condições da infraestrutura rodoviária estão diretamente relacionadas ao gerenciamento de risco da operação. Para manter a segurança, a manutenção preventiva se torna indispensável e representa um item relevante dentro da estrutura de custos. Quando esse custo aumenta, ele acaba sendo incorporado à operação e, em algum momento, chega à cadeia produtiva”, afirma.
Na prática, a empresa atua com manutenção preventiva, veículos mais novos, planejamento de rotas, controle de jornada, treinamento de motoristas e monitoramento operacional. A ideia é reduzir riscos mecânicos, evitar falhas em trajetos sensíveis e garantir que o caminhão não precise fazer paradas inesperadas, especialmente em áreas com maior exposição a roubos, acidentes ou problemas de infraestrutura.
“O planejamento de rotas é essencial para definir trajetos com menor risco para a operação, mesmo que isso signifique um tempo maior de entrega. A decisão pode considerar áreas com infraestrutura mais precária, regiões de menor segurança e pontos previamente definidos para abastecimento e descanso. O monitoramento ajuda a identificar movimentações fora do padrão e permite uma resposta mais rápida da central”, explica Rosolen.
Para a West Cargo, o debate sobre custos logísticos precisa considerar toda a cadeia. Roubo de cargas, más condições das rodovias, aumento da manutenção, maior consumo de combustível, seguros, escoltas, tecnologia embarcada e baixa previsibilidade operacional não afetam apenas as transportadoras. Esses fatores reduzem a eficiência do sistema, pressionam indústrias, encarecem o frete e chegam ao consumidor final.
Na avaliação de Rosolen, o país precisa avançar principalmente na segurança das estradas e no combate estruturado ao roubo de cargas. “É necessário ampliar a segurança nas rodovias, com atuação das forças responsáveis para reduzir o roubo de cargas e o risco associado à condução em determinadas regiões. Quanto menor a exposição ao risco, maior a previsibilidade e menor a pressão sobre os custos da cadeia logística”, finaliza.
Fonte: SEGS