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Transcares realiza oitava edição do seu Fórum de Prevenção e Roubo de Cargas e a reflexão que fica é: números caíram, mas baixar a guarda não é uma opção!

Transcares realiza oitava edição do seu Fórum de Prevenção e Roubo de Cargas e a reflexão que fica é: números caíram, mas baixar a guarda não é uma opção!

“Quando o tema é roubo e furto de cargas, continuamos olhando para o Espírito Santo com orgulho. Vivemos uma realidade bem diferente da observada em grande parte do País. Enquanto o crime segue representando um problema de grandes proporções em outras regiões, sobretudo no Sudeste, nós seguimos mantendo nossos índices baixos. Isso é motivo de comemoração. Mas, definitivamente, não é motivo para baixar a guarda. E talvez essa seja uma das principais razões para estarmos aqui hoje”.

Foi desta forma que o presidente do Transcares, Luiz Alberto Teixeira, abriu o VIII Fórum de Prevenção e Combate ao Roubo de Cargas, realizado na manhã da quinta-feira, 10 de setembro, em Vitória, reunindo palestrantes do Espírito Santo, São Paulo, Rio, Minas e Brasília, e trazendo um recorte nacional, regional e local deste tipo de crime, que no ano passado registrou 8.570 ocorrências e gerou um prejuízo direto próximo de R$ 900 milhões.

A mais recente edição do evento reuniu mais de 100 pessoas, entre autoridades, empresários, executivos e profissionais do setor de transportes e logística, e parceiros do Transcares. A programação incluiu palestras técnicas da NTC e Logística, Fetcemg (federação das empresas de transportes de Minas Gerais), Sindicarga (sindicato de cargas do Rio de Janeiro) e Transcares; e também apresentações de representantes das polícias civil, militar e rodoviária federal.



    

Acompanhe abaixo um resumo de cada palestra apresentada:

O que o roubo de cargas tem a ver com Go, Pôquer e Xadrez?

A convite da NTC&Logística, o delegado de polícia especialista na área de segurança pública e justiça criminal Waldomiro Milaneze abriu as palestras trazendo o cenário nacional do roubo de cargas. Contudo, ao invés de apresentar números e comparativos de anos antes, ele fez uma conexão entre segurança pública e logística a três jogos bem conhecidos: Xadrez, Go e Pôquer.

A tese apresentada por ele, “três jogos, três funções, uma política”, defendeu um modelo estratégico focado em segurança logística em que os jogos representam funções estratégicas complementares.

“No Go, não basta capturar peças. É preciso impedir que o adversário construa posições sustentáveis, pois vazios de governança criam espaços de oportunidade criminal. Como num jogo de pôquer, para vencer o roubo de cargas, precisamos conhecer aquilo que não aparece. O ‘pôquer institucional’ é sinônimo de gestão da incerteza. Quando chega a hora do xadrez, vamos intervir com sequência e antecipar a reação. Organizações em rede não se desarticulam com a queda de um único ‘rei’. E por fim, voltamos ao Go para consolidar todas as etapas anteriores. Se o adversário se adapta, o ciclo precisa recomeçar”, explicou Milaneze.

Vice-presidente de Segurança da NTC, Roberto Mira estava entre os convidados do fórum e também falou um pouco sobre o crime, suas causas, consequências e impactos.

Ele mostrou o movimento descendente que vem sendo realidade desde 2018 – os 3.851 casos registrados entre janeiro e junho deste ano representam queda de 12,06% em comparação aos números do ano passado – , mas reforçou a necessidade de não “afrouxar” na prevenção, nem no combate.

Para um fenômeno sistêmico é preciso uma resposta institucional

Na segunda palestra da manhã, o agente da PRF Diego Patriota apresentou ao público a Estratégia Multieixos de Enfrentamento ao Roubo de Cargas. Defendendo o crime como um problema sistêmico, que envolve uma cadeia logística criminosa, ele defendeu uma estratégia com cinco frentes de atuação: Operações Repressivas Qualificadas, Mitigação de Vulnerabilidades, Padronização Conceitual, Dados e Antecipação de Risco, e Cooperação com o Setor Logístico. 

“Existe uma mudança perceptível no padrão de atuação das quadrilhas, as organizações têm explorado de forma mais sofisticada as vulnerabilidades da infraestrutura rodoviária e das telecomunicações. Essa evolução exige que a PRF deixe de responder apenas a ocorrências isoladas e passe a atuar com inteligência orientada por dados, identificando corredores e janelas de maior risco antes que o crime aconteça. É essa lógica que estrutura a Estratégia Multieixos. Mas segurança patrimonial das rodovias não é apenas uma política de polícia. É uma política de desenvolvimento nacional, daí a necessidade da integração”, argumentou ele, responsável pelo Grupo de Enfrentamento aos Crimes Contra o Patrimônio (Gepat).

ES navega em águas calmas, mas não baixa a guarda

O Espírito Santo responde por menos de 1% das mais de 3.300 ocorrências de roubo e furto de cargas registradas no País entre janeiro e maio deste ano. Foram 32 casos no Estado, um cenário que coloca os capixabas numa posição bastante diferente da realidade de outras regiões brasileiras.

Em sua palestra, o delegado Christian Waichert defendeu que “a atuação integrada da Delegacia Especializada de Roubo de Cargas, sustentada por inteligência, base normativa consolidada e parceria com o setor produtivo, vem reduzindo de forma consistente os índices de furto e roubo de cargas no Espírito Santo”.

Sua afirmação é baseada em números apresentados no evento. Em 2025, o Espírito Santo registrou 59 ocorrências – 46 de furto e 13 de roubo. O total de casos representou uma redução de 13,2% em relação a 2024 (68 entre janeiro e dezembro).

 Já o Panorama Estatístico de Furto e Roubo de Cargas em 2026, com dados consolidados até 31 de agosto, mostra 32 ocorrências – 26 furtos e seis roubos.

“Esses 32 casos representam uma redução de 25,6% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram registradas 43 ocorrências desses tipos de crime”, destacou o delegado, finalizando em seguida. “A prevenção começa na origem: cargas seguras, rotas protegidas”.

As realidades de Minas, ES e Rio de Janeiro

Os assessores de segurança Mario Natali, do Transcares, e Ivanildo dos Santos, das Fetcemg, e o diretor do Sindicarga Marcelo Turbo ficaram responsáveis por compartilhar ações, desafios e boas práticas de seus respectivos sindicatos no que diz respeito à prevenção e combate ao roubo de cargas.

Natali destacou o papel do Transcares na promoção de um diálogo qualificado, bem como as boas práticas que marcam a atuação do Estado. Mas não deixou de olhar para o cenário de ameaças, que envolve a migração das quadrilhas para outros locais, o aumento nas ocorrências de furtos e roubos focadas em cargas fracionadas, os riscos crescentes visando operações em terminais marítimos e complexos aeroportuários e até a probabilidade crescente de organizações criminosas financiarem e operarem o roubo e receptação de cargas.

“O fato de vivermos quase uma realidade paralela não é motivo para ficarmos parados, muito pelo contrário! As quadrilhas podem enxergam o Estado como uma nova oportunidade, por isso precisamos estar sempre um passo à frente”, defendeu Natali, que deixou quatro propostas de otimização do enfrentamento a esse tipo de crime: capacitação contínua; uso de IA e tecnologias para reduzir riscos nas operações; maximização de investimento em redes de alerta institucional, como cerco eletrônico, totens e identificação facial; e agravamentos penais aos crimes de receptação,  uso do jammer e saque em cargas sinistradas.

Pontos de parada e descanso

Na última palestra da manhã, Christian Tanimoto, da Ecovias Capixabas, apresentou alguns avanços e melhorias que estão em curso na BR 101 e fakou também dos novos Pontos de Parada e Descanso (PPDs) da rodovia, um em Aracruz, no norte do Estado, com 82 vagas disponíveis, e outro em Atílio Vivacqua, no sul, com 57.

As duas estruturas, consideradas “superparadas”, são gratuitas para caminhoneiros e motoristas do transporte rodoviário de passageiros, garantindo até 12 horas de permanência contínua, com funcionamento 24 horas por dia, inclusive nos fins de semana e feriados.

O VIII Fórum de Segurança, Prevenção e Combate ao Roubo de Cargas é uma realização do Transcares e conta com apoio institucional do governo do Estado, por meio da secretaria de Estado de Segurança e Defesa Social – SESP, patrocínio da Comprocard, Pamcary, Gertran, 3S Tecnologia, Golden Service, Neocount e Sincades, e apoio da Fetransportes e da Fecomércio.

Por Anna Carolina Passos

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