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Sistema Transporte e Ultragaz discutem uso do biometano no transporte pesado

Sistema Transporte e Ultragaz discutem uso do biometano no transporte pesado

Encontro abordou infraestrutura de abastecimento, corredores logísticos e alternativas para ampliar o uso do combustível no setor

O uso do biometano no transporte pesado e as condições para ampliar a disponibilidade do combustível no país foram tema de reunião entre a diretoria do Sistema Transporte e da Ultragaz, nesta segunda-feira (14), em Brasília. O encontro tratou da infraestrutura de abastecimento, da distribuição do combustível e de possibilidades de cooperação para identificar corredores logísticos com potencial para utilização do biometano.

Durante a reunião, a Ultragaz apresentou projetos de distribuição e abastecimento do combustível, entre eles, o modelo off-grid, que permite transportar o biometano por carretas para regiões não atendidas por gasodutos. Segundo a empresa, cerca de 70% do biometano produzido atualmente e não injetado na rede é distribuído dessa forma.

A companhia também apresentou experiências de abastecimento de frotas pesadas diretamente nas operações de empresas e transportadores, além de projetos para a instalação de pontos em rodovias. A proposta é ampliar a infraestrutura de abastecimento disponível no país.

Segundo o consultor de Novos Negócios da Ultragaz, Lucas Silva Vergara, a aproximação com a CNT abre espaço para que essas soluções sejam desenvolvidas a partir das necessidades do setor. “Desenhamos esse modelo ouvindo o cliente, o transportador e o embarcador, para trazer uma solução capilar e conectar os principais corredores logísticos. Estando mais próximos, toda a cadeia ganha e pode avançar na substituição do diesel por combustíveis menos poluentes”, afirmou.

Condições para ampliar o uso

O diretor de Relações Institucionais da CNT, Valter Souza, destacou que o avanço do biometano no transporte também depende de regras que ofereçam segurança às empresas interessadas em investir na nova infraestrutura. “A questão da regulação precisa ser acompanhada de perto. As empresas precisam de segurança regulatória para fazer os investimentos, e a CNT pode contribuir trazendo os diferentes atores para a mesma discussão e mostrando que há interesse do transporte em avançar nessa agenda”, afirmou.

Entre os desafios discutidos, estiveram a disponibilidade de pontos de abastecimento, a segurança do fornecimento e a renovação das frotas. A Ultragaz apresentou modelos que combinam estruturas instaladas nas próprias operações dos transportadores com pontos compartilhados em rodovias e centros de distribuição.

Antônio de Azevedo, assessor de Gases Renováveis da Ultragaz, avaliou que o mercado reúne hoje melhores condições para avançar. “A indústria despertou para o biometano pela necessidade de descarbonização, pela tecnologia disponível e pela segurança do abastecimento. A solução já foi testada e funciona, o que nos permite ampliar sua utilização no transporte pesado”, afirmou. 

A Ultragaz apresentou modelos que combinam estruturas instaladas nas próprias operações dos transportadores com pontos compartilhados em rodovias e centros de distribuição.

A empresa também relatou questões regulatórias relacionadas à implantação dessas estruturas, atualmente em discussão com a ANP. Segundo os representantes da companhia, a ausência de um modelo específico para determinados pontos de abastecimento ainda dificulta a implantação dos projetos e aumenta a insegurança dos investidores.

A diretora executiva da CNT, Fernanda Rezende, observou que o diálogo com as empresas permite incorporar às discussões do setor as soluções que já estão sendo desenvolvidas para reduzir as emissões. “Quanto mais conhecemos o que a iniciativa privada está desenvolvendo, mais conseguimos dar voz a essas soluções técnicas. A descarbonização do transporte precisa considerar as diferentes possibilidades que temos no país”, afirmou.

Fernanda lembrou ainda que as características brasileiras permitem trabalhar com diferentes fontes de energia e citou o potencial do biogás e do biometano entre as alternativas para o transporte.

Corredores de abastecimento

Outro ponto abordado foi o mapeamento de corredores logísticos com potencial para receber infraestrutura de abastecimento. O Sistema Transporte poderá contribuir com informações sobre trechos com maior intensidade e regularidade de circulação, auxiliando na identificação de pontos para futuros estudos.

A possibilidade é cruzar os corredores já mapeados pela Ultragaz com informações do setor de transporte e, a partir daí, avaliar os locais mais adequados para a implantação inicial da infraestrutura. A proposta considera começar por operações mais concentradas e ampliar gradualmente as distâncias atendidas.

O diretor nacional adjunto do SEST SENAT, Vinicius Ladeira, associou o mapeamento dos corredores ao trabalho desenvolvido na segunda fase da Coalizão para a Descarbonização dos Transportes, iniciativa que reúne entidades dos setores de energia, mineração e transporte para discutir alternativas de redução das emissões. “O biometano é uma das teses prioritárias dessa etapa. A proposta é reunir os interessados, ampliar o projeto de corredores de abastecimento e avançar em estudos que contribuam para o desenvolvimento desse mercado”, afirmou.

Valter Souza apontou a capilaridade do Sistema Transporte como um caminho para aproximar as soluções das empresas e ampliar o conhecimento sobre o biometano entre os transportadores. “A CNT pode ajudar muito, pois reúne as entidades do setor, que são os potenciais clientes dessas soluções. Temos mais de 200 mil empresas no Sistema Transporte. Além disso, realizamos eventos e dispomos de espaços que podem ser utilizados para apresentar e discutir essas alternativas”, pontuou.

Da parte da Confederação, participaram do encontro: o diretor de Relações Institucionais, Valter Souza; a diretora executiva, Fernanda Rezende; a gerente executiva Governamental, Danielle Bernardes; o gerente executivo de Governança e Estratégia, João Guilherme Vogado; e a gerente executiva Ambiental, Erica Marco. Pelo SEST SENAT, participaram o diretor adjunto nacional Vinicius Ladeira e a gerente executiva de Sustentabilidade, Gabriela Rizza.

Pela Ultragaz, participaram: André Pressendo Mendes, especialista de Regulação e Relações Institucionais; Antônio de Azevedo, assessor de Gases Renováveis; Lucas Silva Vergara, consultor de Novos Negócios e Matheus Atanam, coordenador de Relações Institucionais e Governamentais do Grupo Ultra.


Por Agência CNT Transporte Atual

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