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Investimentos em infraestrutura de transporte caem 4% na proposta de orçamento para 2027

Investimentos em infraestrutura de transporte caem 4% na proposta de orçamento para 2027

PLOA prevê R$ 16,07 bilhões para o setor, enquanto os investimentos públicos federais totais projetados crescem 12,8%, aponta análise da CNT

Os investimentos previstos para a infraestrutura de transporte no Projeto de Lei Orçamentária Anual de 2027 (PLOA 2027) somam R$ 16,07 bilhões, que representam um valor 4,0% inferior ao previsto na proposta orçamentária de 2026. A redução de R$ 661,28 milhões ocorre frente a um cenário de crescimento de 12,8% nos investimentos públicos federais totais programados para o próximo ano, que devem alcançar R$ 297,60 bilhões. Os dados integram a Série de Economia – Investimentos em Transporte: PLOA 2027, da CNT, que analisou a destinação dos recursos públicos para o setor.

O PLOA 2027 estima despesas totais de R$ 7,45 trilhões, incluindo os orçamentos fiscal e da seguridade social e o orçamento das empresas estatais. Desse montante, R$ 87,94 bilhões estão previstos para investimentos da União, enquanto os investimentos das estatais somam um orçamento de R$ 209,65 bilhões. Se considerados os investimentos públicos federais totais, o valor programado para 2027 chega a R$ 297,60 bilhões. 

Do total destinado à infraestrutura de transporte, R$ 14,61 bilhões correspondem a investimentos da União e R$ 1,45 bilhão, aproximadamente, às empresas estatais. 

A redução dá continuidade à trajetória observada nas propostas orçamentárias dos últimos anos. Em comparação com os projetos de lei orçamentária anteriores, os recursos previstos para investimentos em transporte recuaram 9,2% no PLOA 2025 e 16,5% no PLOA 2026. O cenário reforça a importância de acompanhar a evolução das dotações destinadas à infraestrutura e a distribuição dos recursos entre os diferentes segmentos do setor.

A proposta para 2027 destina R$ 12,46 bilhões ao transporte rodoviário, o equivalente a 85,2% dos investimentos da União previstos para o setor. Apesar da concentração dos recursos nessa área, o montante permanece distante das necessidades identificadas pela CNT. A Pesquisa CNT de Rodovias 2025 estimou em R$ 49,93 bilhões o volume necessário para manutenção, restauração e reconstrução das rodovias federais sob gestão pública, montante quatro vezes superior ao valor previsto para o transporte rodoviário no PLOA 2027.

Os demais recursos da União estão distribuídos entre os transportes ferroviário, aquaviário e aéreo, que correspondem, respectivamente, a 5,5%, 4,4% e 1,5% do total previsto para o setor.

O transporte aquaviário apresenta o maior crescimento percentual entre esses segmentos, com R$ 640,73 milhões previstos, alta de 35,6% em relação ao PLOA 2026. Já o transporte ferroviário conta com previsão de R$ 808,61 milhões, abaixo dos R$ 929,22 milhões previstos na proposta orçamentária anterior. Para o transporte aéreo, a previsão é de R$ 212,61 milhões, ante R$ 279,49 milhões no PLOA 2026.

Distribuição dos recursos e tramitação no Congresso

A análise da CNT também identifica como está alocada a distribuição dos investimentos entre os órgãos responsáveis pela execução orçamentária. No Ministério dos Transportes, os investimentos previstos somam R$ 13,67 bilhões — número semelhante ao do PLOA 2026. Desse total, R$ 12,42 bilhões estão destinados ao DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes).

No Ministério de Portos e Aeroportos, os investimentos alcançam R$ 941,53 milhões, aumento de 22,6% em comparação com a proposta orçamentária de 2026. O resultado ocorre mesmo com a redução do orçamento total da pasta, refletindo mudanças na composição das despesas previstas. 

Para a diretora executiva da CNT, Fernanda Rezende, a tramitação do orçamento no Legislativo representa uma oportunidade de aprimorar a destinação dos recursos e fortalecer os investimentos em infraestrutura de transporte. O projeto de orçamento para 2027 tramita no Congresso Nacional.

“O planejamento dos investimentos é fundamental para atender as necessidades do setor de transporte brasileiro, ampliar a eficiência logística e contribuir para a competitividade da economia do país. A análise da proposta orçamentária permite identificar oportunidades de aperfeiçoamento na distribuição dos recursos, de modo a direcioná-los às áreas prioritárias para o desenvolvimento do transporte brasileiro”, afirma.

Por Daniel Fernandes

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