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Minaspetro denuncia aumento ‘injustificado’ no preço do diesel às vésperas de mudança na mistura

Sindicato aponta repasse de até R$ 0,10 pelas distribuidoras e alerta para possível impacto no abastecimento e no preço do frete
O Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado de Minas Gerais (Minaspetro) está denunciando um aumento “inesperado” no valor do diesel por parte das distribuidoras. Isso acontece às vésperas da alteração da mistura do combustível, que passará de 14% de biodiesel para 15% a partir desta sexta-feira (1º). A mudança foi aprovada em junho pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE).
O que se percebe no mercado de combustíveis, de acordo com a nota divulgada pelo Minaspetro, é que “a cada momento de transição regulatória, tributária ou legislativa, o setor de distribuição tem aproveitado para ganhar margem e toda a culpa recai no varejo”.
Segundo o sindicato, nas duas últimas semanas, os postos de combustíveis têm observado na distribuição um repasse de aproximadamente R$ 0,10 no diesel, sem qualquer justificativa, já que o preço do biodiesel está estável e não houve reajuste da Petrobras para o combustível.
O presidente da Federação das Empresas de Transportes de Cargas e Logística do Estado de Minas Gerais (Fetcemg), Gladstone Viana Diniz Lobato, comenta que as empresas já estão comprando combustível com reajuste de R$ 0,08 desde a semana passada e que já foram comunicadas sobre mais aumentos para as próximas semanas. Isso porque os fornecedores alertaram que estão recebendo produto com valor mais caro e que estão tendo dificuldade em encontrar o diesel S-10.
“As distribuidoras estão dizendo que, em função da mistura, o produto está faltando e não estão entregando todos os pedidos. Dessa forma, os postos já nos alertaram que não terão insumo suficiente para o fornecimento e que o preço deve aumentar, já que os produtos estão chegando com valores mais altos”, afirmou Lobato.
O diesel S-10 é um tipo de óleo diesel com baixo teor de enxofre e, portanto, menos poluente do que o diesel comum (S500), sendo recomendado para motores a diesel fabricados a partir de 2012.
Nesse cenário, o Minaspetro alerta para a importância de a sociedade estar atenta quanto a todos os elos da cadeia e para que alguns setores não utilizem a fase de transição como uma “oportunidade comercial”.
Procurados pela reportagem, o Sindicato dos Distribuidores de Combustíveis do Estado de Minas Gerais (Sindiminas), a Federação Nacional das Distribuidoras de Combustíveis, Gás Natural e Biocombustíveis (Brasilcom) e o Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e de Lubrificantes (Sindicom) ainda não se manifestaram.
Aumento da mistura do biodiesel é criticada por empresários
O presidente da Fetcemg critica, ainda, o aumento da mistura aprovada pelo CNPE e alega que isso pode impactar no preço do frete. “O índice da mistura está muito alto. Além de ruim, ela sofre um processo de decantação que cria uma borra que acaba entupindo filtros e bicos injetores, resultando em um aumento de consumo de combustível e problemas nos motores”, pontua.
Ainda segundo Lobato, o aumento dos preços e do uso do diesel com a mistura maior pode acabar impactando no preço do frete. “O diesel corresponde a cerca de 40% do preço do frete, então qualquer aumento reflete igualmente no valor final. O diesel é o sangue do transporte e não tem como andarmos sem ele”, diz.
Nessa terça-feira (29), em entrevista ao Diário do Comércio, o presidente do Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas e Logística de Minas Gerais (Setcemg), Antonio Luis da Silva Junior, também já havia criticado a mistura e os possíveis impactos nos custos do frete.
Na ocasião, ele alegou que o setor já está se preparando para reservar uma parte maior do faturamento para a manutenção, ainda que não seja possível mensurar qual será o tamanho do impacto.